Se tem uma coisa que a galera aprendeu a duras penas acompanhando os mistérios de Hawkins é que a sensação de segurança é sempre uma ilusão. A gente se apega aos personagens, cria mil teorias e, quando menos espera, a narrativa puxa o tapete de um jeito brutal. Pra quem ainda está correndo atrás do prejuízo e não viu tudo, fica o aviso de praxe: o texto a seguir está lotado de spoilers pesados das quatro temporadas de Stranger Things. Siga por sua conta e risco.
Os primeiros baques
Aquele tom denso e implacável da série não foi construído por acaso, ele já deu as caras no primeiríssimo episódio. Lembra do Benny Hammond? O dono da lanchonete local foi basicamente o primeiro adulto a esbarrar na Eleven depois da fuga dela. Ele tentou fazer o certo, mas a recompensa por acolher a garota foi tomar um tiro de agentes do governo. Foi aquela morte que serviu pra avisar o público de que a brincadeira era muito mais perigosa do que parecia.
Logo em seguida, a gente teve o sumiço da Barb, a Barbara Holland, que elevou bastante a tensão da primeira temporada. A melhor amiga da Nancy Wheeler desaparece logo no segundo episódio e o choque real vem quando o destino dela é finalmente confirmado lá no sétimo episódio. O baque na comunidade de fãs foi tão grande que gerou até o famoso movimento virtual clamando por justiça por ela. Dentro da história, a perda da Barb foi o estopim que a Nancy precisava para ir fuçar o que realmente estava rolando no laboratório, ditando muito do ritmo e da investigação que vimos explodir na segunda temporada.
Os heróis improváveis
Hawkins tem essa mania de transformar pessoas comuns em lendas da noite pro dia. O Bob é o maior exemplo disso. O gerente pacato da Radio Shack e novo namorado da Joyce Byers parecia só um cara legal que caiu de paraquedas na loucura toda, mas virou um favorito absoluto. A cena dele se sacrificando para ajudar todo mundo a escapar do Laboratório de Hawkins no meio de um ataque de Demodogs é de partir o coração. É uma morte heroica que reforça que ninguém tem passe livre ali, e acabou servindo como um cimento meio trágico para aproximar ainda mais a Joyce e o Hopper.
Outro que ganhou o público num estalar de dedos foi o Dr. Alexei, lá na terceira temporada. O carisma do cientista russo, com aquele jeito inocente e fascinado pela cultura americana, quebrou um pouco o gelo da trama. Mas a alegria durou pouco. Ele foi assassinado pelo Grigori bem no meio da feira da cidade. O choque que a Joyce e o Murray sentiram refletiu exatamente o que a gente sentiu do lado de cá da tela, botando ainda mais lenha na fogueira da tensão geopolítica que marcou a temporada.
O terror psicológico de Vecna
A quarta temporada chegou chutando a porta com uma pegada de terror bem mais crua, introduzindo o Vecna e jogando luz sobre os traumas silenciosos da juventude de Hawkins. A brutalidade já começou no episódio “The Hellfire Club” com a Chrissy Cunningham. A líder de torcida foi assassinada de forma grotesca bem na frente do Eddie, o que desencadeou não só uma caça às bruxas bizarra na cidade, mas também estabeleceu como o vilão opera na mente das vítimas.
E falando no Eddie Munson, que arco absurdo. O líder do Hellfire Club, sempre visto como o pária esquisitão do colégio, acabou roubando a cena. Acusado injustamente pelos assassinatos bizarros que tavam rolando na cidade — que também vitimaram o Patrick McKinney —, ele teve a chance de fugir, mas escolheu ficar. O sacrifício dele no Mundo Invertido, ganhando tempo para a galera, e a morte nos braços do Dustin fecharam a história dele cravando o título de herói incompreendido.
Ainda nessa reta final caótica do nono episódio da quarta temporada, após lidarmos com o embate envolvendo o Dr. Martin Brenner, o destino da Max tomou um rumo devastador. Tecnicamente ela está viva, mas a garota foi levada ao limite absoluto nas mãos do Vecna. Ela chegou a morrer clinicamente por alguns segundos antes da Eleven conseguir revivê-la, mas o estrago já estava feito. Max ficou em coma, cega e cheia de fraturas graves. Foi uma vitória amarga para o nosso grupo, já que o Vecna conseguiu abrir os portões que precisava, bagunçando completamente o tabuleiro para a última temporada.
Aproveitando a onda oitentista: O futuro de RoboCop na TV
Aproveitando esse gancho de franquias que brincam com ficção científica, suspense e a clássica nostalgia dos anos 80, tem uma novidade de peso rolando nos bastidores de Hollywood. O diretor James Wan, figurinha carimbada para quem curte Invocação do Mal e Aquaman, está se preparando para comandar episódios cruciais de uma nova série de TV baseada em RoboCop.
A produção é da Amazon MGM Studios e a ideia é que as filmagens comecem já em janeiro lá em Vancouver, com uma previsão de seis meses de trabalho pesado. Quem assina o roteiro e o comando do show é o Peter Ocko, que já trabalhou em Lodge 49 e The Office. O plano é entregar uma visão mais serializada e moderna da franquia, com a Atomic Monster, produtora do Wan, supervisionando tudo. Se vai conseguir prender a nossa atenção com a mesma força que o Mundo Invertido, a gente vai descobrir em breve.