A segunda-feira não foi nada fácil para quem depende do Spotify. Pela segunda vez no mesmo dia, o serviço de streaming deixou muita gente na mão, gerando uma onda de reclamações que tomou conta das redes. De acordo com os dados do Downdetector, os problemas começaram a pipocar logo após as 22h no horário da costa leste dos EUA. O clima foi de frustração, com mais de 20 mil reclamações registradas antes mesmo das 23h. O diagnóstico técnico mostrou um cenário variado: metade dos usuários enfrentou travamentos no próprio aplicativo, enquanto 20% sequer conseguiam acessar o servidor e 17% sofriam com cortes constantes no áudio. Até o momento, a empresa não forneceu um cronograma claro sobre a resolução definitiva das falhas.
Se para o usuário comum a noite foi de interrupções, para o mercado financeiro o Spotify (NYSE:SPOT) vive uma realidade de ajustes estratégicos profundos. A Handelsbanken Fonder AB, por exemplo, optou por reduzir sua posição na empresa em 8,1% durante o quarto trimestre. Com a venda de 14.116 ações, o fundo encerrou o período detendo 160.592 papéis, avaliados em pouco mais de 93 milhões de dólares conforme o último relatório enviado à SEC.
Contudo, focar apenas nessa venda seria ignorar o movimento mais amplo dos grandes players. Ao analisar o comportamento de outros investidores institucionais e fundos de hedge, nota-se uma tendência clara de acumulação. Gigantes como a State Street Corp, a Capital World Investors e a Fisher Asset Management decidiram aumentar significativamente suas participações no último trimestre, comprando centenas de milhares de ações adicionais. Com mais de 84% das ações do Spotify atualmente nas mãos de fundos e grandes instituições, o mercado parece estar apostando pesado na companhia, encarando as oscilações de curto prazo de forma mais resiliente.
Para fechar o cenário, é preciso olhar para a movimentação dentro de casa. Recentemente, executivos de alto escalão da empresa também realizaram vendas expressivas de ações. O CEO Gustav Soderstrom, por exemplo, vendeu mais de 20 mil ações em maio, movimentando cerca de 9 milhões de dólares, enquanto o CEO Alex Norstrom também realizou vendas na casa dos milhões em abril. É importante pontuar, porém, que esse tipo de movimentação não costuma ser sinal de crise; frequentemente, as vendas seguem planos de negociação pré-arranjados, conhecidos como Rule 10b5-1, e servem majoritariamente para quitar obrigações fiscais decorrentes do vesting das ações. Com os insiders detendo apenas 0,40% do capital da empresa e um volume de vendas totalizando cerca de 47 mil papéis nos últimos três meses, a governança do Spotify segue o seu curso, sob o olhar atento dos investidores.