Sangue, Segredos e Paternidade Sombria: O Que Dexter e Widow’s Bay Trazem Para o Streaming

Sangue, Segredos e Paternidade Sombria: O Que Dexter e Widow’s Bay Trazem Para o Streaming

O canal Showtime finalmente soltou o trailer completo do aguardado revival de Dexter — ou a nona temporada, para os mais puristas —, e o que chega para nós via Paramount+ mostra que o passado é um fantasma teimoso. A prévia traz de volta nosso serial killer favorito, encarnado por Michael C. Hall, tentando levar uma vida pacata e reclusa no interior sob a alcunha de Jim Lindsay. Só que o grande baque do vídeo, que pegou a galera de surpresa, foi o vislumbre da Deb Morgan (Jennifer Carpenter). A irmã do cara, que bateu as botas lá no fatídico final de 2013, dá as caras novamente. A trama se passa uma década depois de Dexter sumir do mapa no olho do furacão Laura. Ele está lá, escondidão na gelada Iron Lake, em Nova York, tentando a todo custo domar seus instintos assassinos. Mas, como desgraça pouca é bobagem, a calmaria é atropelada. De um jeito que o trailer ainda esconde a sete chaves, ele reencontra o filho, Harrison, que agora já é um adolescente.

Ter esse reencontro no centro da narrativa pesa. São oito temporadas nas costas desde a estreia em 2006, prêmios Peabody, indicações ao Emmy e o peso de ter sido uma das séries mais aclamadas da TV. Agora, com o retorno do showrunner original, Clyde Philips, e um elenco que mistura sangue novo e velhos conhecidos — como Clancy Brown e John Lithgow —, teremos dez episódios de uma hora para ver se o ex-perito forense de Miami consegue mesmo fugir de sua própria natureza enquanto encara a paternidade de frente.

Essa pegada de protagonistas lidando com instintos obscuros e tendo que balancear segredos bizarros de família parece ser o grande filão do momento. Se em Dexter a tensão gira em torno de um pai tentando esconder sua verdadeira face do filho que acabou de retornar, a Apple TV+ resolveu levar esse conflito paternal ao extremo com Widow’s Bay. A série criada por Katie Dippold, encabeçada pelo sempre excelente Matthew Rhys, é daquelas produções que misturam horror e comédia na dose exata. Desde que estreou no fim de abril, a trama sobre essa ilha fictícia e amaldiçoada cativou o público com uma sucessão de bizarrices. O prefeito Tom Loftis, papel de Rhys, passa a temporada inteira suando a camisa para abafar as fofocas locais sobre maldições e superstições, tudo para não espantar os turistas.

Mas quem chegou ao final da primeira temporada já sacou que a ilha esconde muito mais do que lendas para boi dormir. Lá pelo penúltimo episódio, a trama dá um cavalo de pau. O Tom descobre que o fundador da cidadezinha, Richard Warren, fez um pacto demoníaco séculos atrás para proteger Widow’s Bay. A única brecha para quebrar a maldição? Exterminar a linhagem do sujeito de uma vez por todas. Depois de uma aula de genealogia interminável e hilária dada pela Rosemary, o prefeito e seus aliados, Patricia e Wyck, chegam à conclusão de que o último elo vivo dessa árvore genealógica é ninguém menos que a colega de trabalho deles de 84 anos, a dona Ruth.

É aí que a moralidade vai pro ralo e o desespero dita as regras. O trio entra num debate ético torto sobre apagar a velhinha para salvar o resto da ilha. Patricia acha uma atrocidade, mas Tom e Wyck encaram a coisa como um mal necessário. Enquanto uma tempestade apocalíptica força os moradores a se entocarem num abrigo subterrâneo — incluindo o filho do Tom, o jovem Evan —, o prefeito topa fazer o trabalho sujo. Ele vai até a casa de Ruth com um plano sorrateiro: misturar os remédios da idosa para induzir uma morte pacífica, uma tática letal que ele pescou nos próprios registros médicos dela.

No meio desse clima absurdamente tenso, a Ruth, talvez meio grogue com o coquetel farmacêutico, resolve abrir o baú. Contrariando a crença popular de que nunca teve filhos, ela confessa com saudosismo que, na juventude, teve um caso com um homem casado. Ela engravidou e deu a criança para que ele criasse com a esposa oficial. O nome dessa criança era Lauren. A falecida esposa de Tom.

A matemática bate de um jeito devastador. Ruth não é o fim da linha. O último descendente verdadeiro de Richard Warren é o neto dela: Evan. Para quebrar a maldição de Widow’s Bay, o prefeito percebe que matar uma senhora indefesa não resolve nada; o preço cobrado é a vida do próprio filho. O contraste dessa cena final encapsula perfeitamente o tom da série. Temos o Tom em estado de horror paralisante diante do abismo, enquanto a Ruth, completamente ignorante sobre a linhagem demoníaca e o caos iminente, respira aliviada e sorri, radiante por finalmente tirar esse segredo das costas depois de tantas décadas.