A espera está acabando para os fãs de Westeros. O primeiro teaser trailer da terceira temporada de A Casa do Dragão (House of the Dragon) acaba de ser divulgado, trazendo uma prévia intensa da guerra que dividirá a Casa Targaryen. Com muitas cenas de ação e fogo de dragão, o material promocional carrega um tom sombrio, reforçado pelo slogan da nova leva de episódios: “Das chamas vem a escuridão”. A nova temporada promete entregar logo de cara uma sequência de batalha gigantesca. Curiosamente, esse confronto épico estava planejado para o segundo ano da série, mas acabou sendo realocado para a terceira parte após a HBO reduzir a temporada anterior para apenas oito episódios.
O xadrez de Westeros e as peças no tabuleiro
Para entender o peso dessa guerra iminente, é preciso olhar para as figuras centrais que movem a história no streaming Max. A trama se desenrola 200 anos antes dos eventos de Game of Thrones, numa época em que a dinastia Targaryen reinava absoluta com seus dragões. O estopim de toda a confusão bélica nasceu de um dilema do Rei Viserys I, interpretado por Paddy Considine. Conhecido por seu trabalho como o vilão padre John Hughes na série Peaky Blinders e também por The Outsider, o ator dá vida ao quinto monarca dos Sete Reinos. Escolhido por um conselho de lordes devido à sua natureza calorosa e gentil, Viserys quebrou as regras da época ao nomear sua filha Rhaenyra como herdeira do Trono de Ferro, preterindo seu irmão mais novo.
O costume ditava que o sucessor natural seria exatamente esse irmão, Daemon Targaryen, um guerreiro ambicioso e totalmente imprevisível. Apelidado de “Príncipe Canalha”, o personagem é vivido por Matt Smith. O ator inglês já é um velho conhecido do público, tendo ficado famoso como a décima primeira encarnação do Senhor do Tempo em Doctor Who (2010-2013) e pela sua elogiada atuação como o Príncipe Philip em The Crown (2016-2019).
Do outro lado dessa disputa familiar temos Rhaenyra, a escolhida do rei, carinhosamente chamada de “Deleite do Reino”. A personagem ganha complexidade ao ser dividida entre duas atrizes talentosas. Milly Alcock, que pode ser vista na série australiana Upright e foi recentemente escalada pelo diretor James Gunn como a nova Supergirl dos cinemas, vive a juventude da princesa. Já Emma D’Arcy assume o papel na fase adulta. A atriz carrega na bagagem projetos como a comédia de terror Truth Seekers (2020), onde interpretou Astrid, uma jovem assombrada por fantasmas.
Conspirações da corte e alianças poderosas
A oposição à herdeira legítima é liderada por pessoas que antes orbitavam o seu círculo mais íntimo. Alicent Hightower, a ex-melhor amiga de Rhaenyra que acabou se tornando a segunda esposa do rei Viserys, usa de toda a sua beleza e inteligência política para manipular o jogo a seu favor. Ela é interpretada por Olivia Cooke, lembrada por atuar no aclamado longa O Som do Silêncio (Sound of Metal, de 2019) e por viver a amiga virtual Samantha em Jogador Número 1 (2018).
Por trás das ações da rainha, contudo, está a mente de seu pai, Otto Hightower. A Mão do Rei é o grande conspirador que arquiteta tudo para colocar seu próprio neto no trono. O papel ficou a cargo de Rhys Ifans, um famoso ator inglês com um currículo vasto na comédia e no drama. Seus trabalhos mais notáveis vão desde o mal-humorado agente Spike em Um Lugar Chamado Notting Hill (1999) até o cientista Curt Connors, que vira o gigantesco Lagarto em O Espetacular Homem-Aranha (2012).
Nessa verdadeira dança dos dragões, outras famílias desempenham papéis cruciais. A Casa Velaryon é comandada por Corlys, o famoso marinheiro conhecido como “Serpente Marinha”, interpretado por Steve Toussaint. Nos cinemas, ele já foi visto como o implacável pirata Mr. Glasspool em A Ilha dos Corsários (1995) e o líder da guarda real Sheik Amar em Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (2010). Ao seu lado está a prima do rei Viserys, Rhaenys Targaryen, a “Rainha Que Nunca Foi”. Ela ganha vida através de Eve Best, atriz presente em produções como a série Nurse Jackie (2009-2015), no papel da dedicada e complexa médica Dra. Eleanor O’Hara, e no filme vencedor do Oscar O Discurso do Rei (2010), onde interpretou Wallis Simpson.
O universo em expansão e o choque nos bastidores
O retorno da série original não é a única movimentação recente nesse universo de fantasia. Enquanto a nova temporada de A Casa do Dragão não chega, outra atração da HBO prepara terreno para exibir o final de sua primeira temporada: o prelúdio O Cavaleiro dos Sete Reinos (A Knight of the Seven Kingdoms). Mesmo contando com um orçamento mais modesto, a série tem gerado muitos elogios tanto da crítica especializada quanto dos espectadores. Isso inevitavelmente levantou debates acalorados na internet sobre qual das duas produções derivadas é superior. Quem acaba vencendo essa disputa é o próprio fã da franquia. Pela primeira vez na história da televisão, o público terá o privilégio de acompanhar dois projetos desse mesmo universo sendo exibidos num único ano.
A expansão também ultrapassa as telas e vai parar no teatro. Foi anunciado na última quarta-feira que uma nova história ganhará vida nos palcos com a peça Game of Thrones: The Mad King, em cartaz na The Royal Shakespeare Theatre. A obra promete recontar os bastidores do fatídico Torneio de Harrenhal, o evento histórico que serviu de faísca para a Rebelião de Robert e culminou na queda da Casa Targaryen.
Apesar de tantas frentes ativas e novidades promissoras, as coisas andam um pouco turbulentas do lado de trás das câmeras de A Casa do Dragão. Uma reportagem de capa exclusiva do The Hollywood Reporter trouxe detalhes sobre as fortes divergências criativas entre o criador da saga literária, George R.R. Martin, e o produtor principal da série, Ryan Condal. A dupla acabou se desentendendo principalmente por conta dos planos para a terceira temporada. O showrunner decidiu desviar do material de origem escrito por Martin, justificando que as alterações na história eram adaptações pragmáticas e totalmente necessárias para o formato televisivo.