Dos enjoos de Joaquin Phoenix à defesa do fracasso: a polêmica trajetória de ‘Coringa: Delírio a Dois’

Dos enjoos de Joaquin Phoenix à defesa do fracasso: a polêmica trajetória de ‘Coringa: Delírio a Dois’

Contracenar com uma figura da magnitude de Lady Gaga não é tarefa simples, nem mesmo para atores consagrados. Joaquin Phoenix, vencedor do Oscar e protagonista de Coringa, sentiu essa pressão na pele durante as gravações da sequência. O peso de dividir a tela com a estrela pop causou uma reação física intensa no ator: Phoenix lidou com enjoos diários no set de Coringa: Delírio a Dois. Segundo o diretor Todd Phillips, a ansiedade tomou conta do intérprete de Arthur Fleck, mas o turbilhão emocional foi contornado graças ao apoio mútuo entre ele e Gaga, que viveu uma versão mais sombria de Harley Quinn, Lee Quinzel.

Apesar da dedicação extrema e do plano meticuloso de Phillips para a trilha sonora — elemento central na conexão entre os personagens —, o esforço hercúleo da produção não se traduziu em sucesso imediato com o público. O filme, que apostou em uma mudança radical de tom, transformando o drama criminal cru do original em um musical de tribunal introspectivo, enfrentou uma recepção gelada.

A visão dos executivos diante dos números

Mesmo com o desempenho muito abaixo do esperado, a cúpula da Warner Bros. mantém a defesa da obra. Pamela Abdy e Michael De Luca, chefes da divisão de filmes do estúdio, foram categóricos em entrevistas recentes ao reafirmarem seu apreço pelo projeto, apesar dos rumores de que seus cargos estariam em risco após o fracasso financeiro. De Luca classificou o longa como “muito revisionista”, admitindo que essa abordagem pode ter sido excessiva para o grande público global. No entanto, ele elogiou a coragem de Phillips e do roteirista Scott Silver por não se repetirem, algo raro em sequências de Hollywood.

Os números, contudo, são inegáveis. Enquanto o primeiro filme ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão, a sequência arrecadou apenas US$ 207 milhões mundialmente. Considerando o orçamento estimado em US$ 200 milhões, o projeto configurou-se como um prejuízo financeiro claro, falhando em conectar-se com a audiência da mesma forma que seu antecessor. A crítica também não poupou a produção, com veículos como a IGN afirmando que o filme desperdiçou seu potencial, e a temporada de premiações ignorou o longa, um contraste gritante com os dois Oscars conquistados pelo filme original.

Resiliência e a natureza da arte

Diante desse cenário adverso, a postura dos envolvidos tem sido de aceitação e resiliência. De Luca enfatizou a necessidade de ter “casca grossa” na indústria, lembrando que, embora todos tenham fracassos no currículo, nem todos conseguem emplacar grandes sucessos. Para ele, o segredo é não se torturar com os projetos que não funcionam.

Essa filosofia ecoa nas palavras da própria Lady Gaga. Quebrando o silêncio em janeiro do ano passado sobre a recepção negativa, a artista foi pragmática. Ela ressaltou que, às vezes, as pessoas simplesmente não gostam de algo e que, para ser artista, é preciso estar disposto a aceitar isso. Gaga destacou que o medo do fracasso faz parte do caos criativo, mas é essencial continuar seguindo em frente, mesmo quando a conexão com o público não acontece da forma planejada.