Já estamos chegando na primeira metade do ano! No mundo cosplay isso significa que estamos próximos de presenciar alguns dos maiores e mais tradicionais concursos cosplay do Brasil: o Yamato Cosplay Cup (YCC) e o World Cosplay Summit (WCS). Desde o ano passado, esses dois concursos de escala internacional passaram a ser organizados pela mesma a empresa, a Yamato Corp, através do selo Yamato Cosplay. Nós do Way To Hero batemos um papo bem legal com a Talita e o Helder (coordenadores da Yamato Cosplay) para entender melhor o que acontece nos bastidores das seletivas e finais desses grandes concursos!

[WtH] Há quase dez anos a Yamato vem organizando grandes concursos cosplay, como o YCC e agora o WCS. Ao longo desse tempo, como vocês percebem a evolução dos cosplayers brasileiros e do cenário competitivo no Brasil?

Helder: Nesses anos todos, a gente reparou uma evolução muito grande nos cosplayers. Teve um grande avanço e fica nítida a evolução do pessoal, não apenas o que participam dos concursos, mas também os que passeam pelo evento. E, nesse sentido, percebemos que toda a atenção que nós damos para os concursos e atividades cosplay acaba repercutindo em todo o público – que assiste ao concurso, faz novas amizades, busca aprender técnicas com outros – e isso é muito interessante.

Talita: É legal ver que o pessoal que vai evoluindo e participando dos campeonatos acaba fazendo do cosplay uma profissão, se tornando cosmakers, dando palestras e workshops em eventos. Isso é algo que contribui muito pro cenário competitivo.

[WtH] Para conseguir atingir todo o Brasil, as seletivas muitas vezes acontecem em eventos que não possuem a organização da Yamato. Como vocês se organizam para que isso aconteça?

Helder: Normalmente nesses casos, os eventos entram em contato com a gente pedindo a seletiva, aí nós avaliamos diversos requisitos para selecionar quantos (por região) vão de fato poder realizar o concurso, tentando dar uma maior equidade, para que tenhamos participantes do país inteiro. E nós sabemos que cada lugar do Brasil possui seus costumes e regras próprias para os concursos cosplay, meio como uma cultura local, então tentamos dar a maior liberdade possível para que o evento possa adaptar as regras da seletiva, sem descaracterizar o concurso.

[WtH] Esse é o primeiro ano de vocês com o WCS. Como o concurso chegou até vocês? E como vocês vêm sentindo a recepção do público a essa mudança?

Helder: Na realidade, é uma história engraçada (risos). A gente conheceu a equipe do WCS no Japão, em um evento onde estávamos apresentando algumas coisas do Anime Friends pro público japonês, e eles comentaram com a gente se teríamos interesse no concurso. Nós respondemos que sim, mas que já havia outra empresa organizando ele no Brasil e eles disseram “ah, tudo bem, qualquer coisa a gente entra em contato”. Um tempo depois, eles de fato entraram em contato, informando que a outra empresa não iria mais cuidar do concurso e se a gente aceitaria representar o WCS. Nós aceitamos encarar o desafio, já que esse é um concurso diferente do que estamos habituados, porque ele premia a pessoa levando ela ao Japão e a torna uma representante do nosso país.

Talita: Para realizar o WCS, nós estamos procurando melhorar nossa estrutura (já que agora temos três concursos grandes, que são o YCC, o YCCI e o WCS) para deixar tudo bem bonitinho e certinho para os cosplayers nos dias das finais no Anime Friends 2016.

[WtH] Quais as diferenças entre organizar o YCC e o WCS e quais os desafios de promover dois concursos de peso simultaneamente?

Talita: Acho que começa pelo número de competidores, vamos ter 17 participantes no YCC Brasil e no WCS são 30. Também precisamos levar em consideração que precisamos seguir algumas regras bem específicas vindas da organização WCS Japão, que impacta no formato de julgamento, apresentação, tamanho de cenário, entre outros.

Helder: A primeira coisa estranha é que no YCC nós acabamos tendo uma maior liberdade, porque como o concurso é organizado pela Yamato nós temos regras que podemos adaptar. Normalmente conversamos com os participantes, principalmente os finalistas, e pegamos ideias que normalmente se tornam novidades em edições futuras. No WCS, ficamos mais restritos às regras japonesas (e uma das nossas maiores estranhezas está na restrição de personagens*), mas ainda assim negociamos algumas exceções para as seletivas regionais e também para a final nacional, visando trazer mais liberdade aos cosplayers. De toda forma, esse é um desafio prazeroso e que também impacta os nossos concursos, para que um ajude o outro a melhorar.

*Para quem não sabe, o WCS só aceita cosplays baseados em animes e jogos de origem japonesa. E além disso, por questões contratuais e rivalidades empresariais dentro da organização, personagens de algumas editoras e estúdios não podem ser representados por cosplayers no concurso, como é o caso de Naruto e Saint Seiya.

[WtH] Um novo ciclo para o YCC e o WCS se inicia no próximo semestre. Teremos mudanças? Novidades? O que esperar daqui pra frente?

Helder: Bom, o que a gente já pode garantir é que vai acontecer(risos)! Mudanças de regras, essas coisas, a gente vai poder sentir mais durante a final. Vamos conversar com os cosplayers, ouvir o que eles gostaram e o que não gostaram, ouvir novas ideias, levar essas conversas pro do Japão e tentar rever algumas coisas, sempre buscando o melhor para os cosplayers. A gente acaba fazendo o concurso pra eles, então nada mais justo que eles possam falar, contar pra gente a experiência deles e assim ficar algo mais animado. Também dá pra adiantar que vamos buscar manter o mesmo número de seletivas e estados participantes, para que aquele cosplayer que por algum motivo não tenha participado desse ciclo possa ter uma nova chance no próximo.

[WtH] Por fim, o que a Yamato Cosplay espera ver dos participantes do YCC e WCS?

Talita: Olha, eu tô sonhando com esse momento, com esse Anime Friends, desde fevereiro (risos). A cada seletiva a gente fica ansioso para saber quem venceu, quem vai vir aqui para São Paulo, então é uma felicidade muito grande ver que a final está chegando. Eu espero que todos se divirtam muito, façam novas amizades e tenham um bom concurso!

Helder: Faço minhas as palavras da Talita e, uma coisa que eu sempre gosto de dizer aos cosplayers é… Participem! Vai ter o YCC ou o WCS no seu estado, participe, né? Aí alguns podem dizer “mas poxa, eu não tenho chance de ganhar”, só que você não sabe – uma apresentação pode parecer muito simples quando você imagina ela na sua cabeça, mas daí quando você faz ela no palco, com a tecnologia, as coisas que o evento pode te dispor, ela se torna muito maior. Quando você sobe no palco, aquela apresentação que você considerava simples pode trazer algo inovador e te dar a vitória. E quanto à final do Anime Friends, já considero todos os finalistas grandes campeões, o objetivo dessa final não é o prêmio e sim a diversão – de ir no hotel, jantar com outros cosplayers, acabar conhecendo novas pessoas lá, isso vira uma experiência pra levar por toda a vida.

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Nós do Way To Hero agradecemos imensamente a disponibilidade da Talita e do Helder, em nos ouvir e responder nossas dúvidas! 🙂


Gus

Geek, otakinho, artista, empreendedor e publicitário. Além do Way to Hero, você pode me encontrar nos vídeos do grupo Museek e nos eventos da Central Cosplay!