As lendas e historias do Rei Arthur e os seus cavaleiros são algumas das mais adaptadas e readaptadas historias que temos na nossa cultura moderna; muitas pessoas reclamam da quantidade de adaptações que Batman já teve, mas elas não chegam nem perto da enorme lista do Arthur. Pelo menos 13 adaptações para o cinema, outras 10 adaptações em formato de serie, isso sem contar livros, desenhos, teatro, operas, jogos para video game ou tabuleiro. Nessa longa lista a mais recente re-encarnação que temos é nova super produção Rei Arthur: A Lenda da Espada.

Vamos começar sendo muito honestos aqui e deixar claro que o roteiro do filme não vai concorrer a nenhum Oscar ou Cannes. O roteiro está longe de ser fraco mas também não é nenhuma obra-prima, readaptar uma historia já contada de tantas formas é um trabalho difícil e isso fica bem evidente nos buracos da historia ao longo do filme. Mas entre trancos e solavancos, o diretor Guy Ritchie mostra a que veio com a sua direção cheia de energia e seu humor tipicamente britânico, especialmente em alguns diálogos que lembram bastante seus trabalhos anteriores.

Quando você entende que senso critico, ou critico literário, é a última coisa que se precisa nesse filme, as coisas ficam muito boas. O filme é simplesmente bonito, as tomadas de ação são muito boas, mesmo abusando um pouco do shaky cam, os efeitos em 3D são de respeito, o design dos sets e dos personagens é muito bem executado e ninguém se sobre sai como um grande destaque do filme.

Do ponto de vista de atuação, Jude Law, interpretando o Rei Vortigern, me saiu como um excelente vilão: muito bem definido e sem os clichês e problemas que vilões em filmes de fantasia normalmente acabam tendo (como risadas espalhafatosas ou atuações exageradas). Charlie Hunnam, como o titular Rei Arthur, esbanja carisma e uma pegada mais moderna para o personagem, algo bem em linha do seu trabalho em Sons of Anarchy e Pacific Rim. Aidan Gillen, nosso querido Mindinho de GoT, merece uma menção honrosa pelo seu papel de Goosefat Bill. Esse é definitivamente um dos personagens mais carismáticos do filme e que cria alguns dos melhores alívios cômicos sem parecer forçado.

Do lado ruim da moeda, tenho que destacar que nas ultimas cenas do filme rola um uso e abuso de CGI que pode ficar um tanto confuso para os menos atentos ao desenrolar da ação, mas nada que faça você ter uma dor de cabeça ou torcicolo tentando entender o que está acontecendo. Outra falha, na minha visão, foi a falta de atenção para a personagem da Àstrid Bergès-Frisbey, que durante todo o filme NINGUÉM fala o nome dela, ela existe somente como um mecanismo para avançar o enredo quando eles se colocam num sinuca de bico.

Rei Arthur: A Lenda da Espada é um daqueles filmes que você pode ir, curtir numa quarta a tarde quando precisar se desligar do mundo e aproveitar umas duas horas de entretenimento sem culpa.


Viotti

Viciado em quadrinhos, amante da 7a arte, gamer aos finais de semana, cozinheiro amador quando bate a fome, mamãe diz que eu sou bonito.