TL;DR Enredo relativamente solido, boas atuações e um Flash que leva o filme para frente garantem o preço do ingresso, mas a quantidade de problemas recorrentes põem em dúvida o que a WB/DC está fazendo pelo futuro da Liga.

Liga da Justiça finalmente bateu nos cinemas e além de saciar o vício dos DCistas e dar material para os Marveletes vamos ser honestos aqui o máximo possível e tratar sobre o bom, o ruim e o feio de Liga da Justiça

O BOM: Roteiro bem direcionado, Humor na dose certa e o melhor Flash de todos os tempos

Começando pelo o que faz o filme funcionar é o seu roteiro. Em Batman Vs Superman temos toda uma tensão em volta do confronto ideológico dos personagens titulares; já em Mulher Maravilha e Homem de Aço a clássica história de origem e temos fã service em Esquadrão Suicida. Liga da Justiça é muito bem definido em seus objetivos e lembra muito as animações originais da DC em ritmo e atos, inclusive dá para se fazer algumas comparações superficiais outras mais inspiradas com a animação Liga da Justiça Guerra de 2014.

Crítica Liga da Justiça - Flash

Na cena de abertura do filme temos algum humor independente da “seriedade” aparente dela, e esse humor se espalha e se perpetua, uma mudança mais do que bem-vinda ao clima taciturno dos filmes da DC. Não se engane, não estamos falando do nível de humor e piadas da formula Marvel, mas temos o humor pontual para tirar a tensão do momento e dar tempo do espectador respirar e continuar o filme investido o suficiente na história mas leve o bastante para aceitar bem as novas informações que estão chegando.

Nesse ponto eu tenho que fazer um adendo importante. A DC Comics é mais que conhecida e cultuada pelas suas tramas pesadas e pelo conflito que os heróis têm entre os limites da sua responsabilidade e dos seus poderes frente o que os definem como seres humanos. Afinal de contas ninguém acharia graça nas histórias de um deus todo poderoso, mas as histórias de um ser capaz de falhar mesmo dotado de poderes quase divinos… isso sim é uma boa base para uma boa história.

Pois bem, a WB/DC ainda mostra sinais claros de que está investida nessa abordagem, mas ela abriu a brecha em Liga da Justiça para humor, camaradagem e um pouco de zueira; portanto aos DCistas mais ultraconservadores já fiquem avisados e preparados para as mudanças que chegaram para ficar.

Gal Gadot, Bem Affleck, Jason Mamoa, Henry Cavil, Jeremy Irons e qualquer outro participante ativo nesse filme dedicaram grande parte do seu talento e vendem ao público de forma fiel e visceral seus papeis; mas de longe Erza Miller como o Flash faz o melhor trabalho de todos. O Flash não é só o alivio cômico em vários momentos, mas também é a ponte que nós nerds e geeks de carteirinha temos com os acontecimentos em tela.

O Flash de Erza Miller é o personagem com a qual todos vão criar um vínculo profundo e acompanhar o Velocista Escarlate enquanto ele pega o filme inteiro, coloca nas costas e corre em volta de todas as outras obras da WB/DC; sem essa versão do Flash o filme nunca seria o mesmo.

O RUIM: Edição fraca, personagens subutilizados e a volta de você sabe quem

O histórico da DC nas grandes telas não é dos melhores, e mesmo com a significativa experimentação/evolução que eles apresentam de um filme para outro; e os pontos positivos a favor da Liga, ainda assim existem erros que chamam a atenção demais para não serem comentados.

A edição do filme é fraca para mediana no geral, mas gritante nos primeiros 15 minutos. Zack Snyder tem alguns filmes de peso no seu currículo em que a edição não é primorosa, mas funciona perfeitamente com o filme. Liga da Justiça infelizmente ainda sofre de um leve mal semelhante a Batman Vs Superman e Esquadrão Suicida; onde a evolução lógica das cenas e dos temas não é exatamente coerente e muitas vezes um tema é abordado para que num corte seco sem mais nem menos nós tenhamos que ir para a próxima cena completamente diferente e com outros temas sem ligação alguma com os anteriores.

Em outro ponto a Marvel também sofre com a subutilização de seus personagens, em um filme como os Vingadores ou Guardiões da Galáxias simplesmente tem gente demais para dar o devido espaço de tela merecido por todos; mas o caso da Liga é um pouco mais sério. Existem dois personagens chaves no desenrolar do filme, que nos fãs conhecemos e adoramos; mas entre aparições que poderiam ser chamadas de papel de fundo, e o fato de que o nome de nenhum dos dois foi sequer mencionado muito me preocupa já que o universo da DC se expande e que novos personagens serão introduzidos. Portanto fica ai a duvida em como ao menos respeitar os personagens e as suas participações nos projetos futuros.

Um dos pontos chaves do filme e uma “grande reviravolta” é a volta de você-sabe-quem (fazer crítica sem spoilers é difícil demais). A volta do personagem estava mais que anunciada e era esperada pelos fãs e pelo público que acompanhou o desenvolvimento do filme; mas um ponto chave tão grande foi tratado até com uma certa banalidade e um que de fã service ao público que gosta de ver uma treta armada e pronta para explodir. Geralmente quando conversam comigo sobre as minhas críticas e eu sou criticado por elas costumo ter exemplos e argumentos do que poderia ter sido feito para contornar ou pelo menos reduzir o tamanho do problema.

Infelizmente eu não tenho nem mesmo um argumento solido, exemplo de outros filmes ou mesmo inspiração nos quadrinhos para indicar uma melhor solução para essa crítica e talvez o maior problema dela é a proximidade com os quadrinhos e a realidade de que nada é permanente contando que se ganhe dinheiro o suficiente.

O FEIO: Efeitos exagerados, roteiro mal executado, cenas sem proposito e um futuro incerto

Eu sei que pareço vitrola quebrada falando sobre o uso exagerado de efeitos especiais, onde eu poderia muito bem apontar o Cyborg ou mesmo os vilões que chegam próximos demais do Uncanny Valley, mas a verdade é que mesmo uma simples conversa pode ter efeitos demais.

Sim, pode parecer absurdo, mas existem pelo menos duas cenas em que o volume de efeitos e ajustes são tantos que as cenas que giram em torno de conversas entre personagens me fizeram questionar se eram atores de carne e osso ou CG na tela. Entra dia e sai dia e fico mais confiante que o caminho para o futuro do cinema é o uso de efeitos práticos e digitais em conjunto para chegar em um balanço de estética e verossimidade e Liga nesse sentido é um solido argumento em investir mais em efeitos práticos e na realidade em vez de depender tanto do computador.

Crítica Liga da Justiça - Filme

No início da crítica eu identifiquei como um bom ponto o roteiro direcionado, mas só porque ele é bem direcionado não significa que a sua execução foi boa e isso acaba encaixando fortemente com algumas cenas sem nenhum propósito.

Dando o nome a todos os envolvidos o corte final desse filme tem várias cenas encaixadas sem nexo causal, ou seja, não existe o desenvolvimento que mostre o porquê da decisão dos personagens ou como certas informações foram adquiridas ou inferidas pelo o que havia disponível aos heróis e ao público. Além disso uma serie de cenas existem pelo bem de si mesmas, elas não desenvolvem nenhum personagem e ou movem o roteiro adiante.

As cenas em questão são ótimas em seu próprio contexto, mas se por algum motivo elas fossem completamente retiradas, o filme continuaria como se nada tivesse acontecido sem nenhum impacto, e considerando que a função principal de um filme é contar uma estória, essas cenas são o equivalente de uma nota de roda pé que não diz nada em algum livro.

Por fim tenho que informar que essa opinião vem das cenas pós credito, ah sim, se eu esqueci de contar até agora fique sabendo que tem duas cenas extras ok?! Pois bem, uma das cenas demonstra o caminho que a próxima aventura da Liga provavelmente irá trilhar, mas existem uma series de perguntas e referências feitas em Batman Vs Superman e em Liga da Justiça que irão permanecer sem serem respondidos se esse caminho se confirmar. É difícil dizer qual o raciocínio que está sendo seguido pela WB/DC ou qual a lógica dessa possível mudança, mas no lugar dos produtores eu usaria esse novo caminho como um respiro de ar fresco para dar tempo aos roteiristas de acertarem todas as pontas soltas enquanto outra história é contada para manter a franquia e a máquina de dinheiro rodando.

E AI?! VALE OU NÃO VALE?

Liga da Justiça com certeza vale o seu suado dinheiro no ingresso e os nerds de plantão com certeza irão se divertir com o filme e todas as discussões que ele irá gerar; mas eu deixei o cinema com um sentimento muito parecido com quando eu sai de Homem de Aço.

O filme é bom e deixa pontas e possibilidades interessantes para o futuro, mas o filme não é bom o suficiente para me empolgar com o futuro; e considerando o histórico da WB/DC só podemos ter esperança para que as outras obras por vir tenham a mesma qualidade de Mulher Maravilha quando chegarem às grandes telas.


Viotti

Viciado em quadrinhos, amante da 7a arte, gamer aos finais de semana, cozinheiro amador quando bate a fome, mamãe diz que eu sou bonito.