Entra ano e sai ano, temos alguma noticia sobre como algum evento teve condutas machistas ou preconceituosas por parte de uma parcela do publico ou da própria organização. Ontem, de acordo com o Anime News Network, no guia de regras de conduta do evento Tokyo Comic-Con constava uma clausula na seção sobre cosplay que bania o uso de cosplay femininos por homens. (男性による女装は禁止です| É proibido o uso de roupas femininas por homens, em tradução livre). Observe que essa regra não se aplicava às mulheres se vestindo como homens.

A contraditória cultura japonesa!

Pegando um pouco de contexto, o termo utilizado 女装 (Jyosou) se refere a pratica “fora da norma” de homens se vestirem de mulheres, o que caracteriza claramente transfobia por parte da organização do evento. A ANN ainda aponta que essa prática é um ponto comum em diversos eventos espalhados por todo o Japão.

É interessante notar que esse é mais um exemplo do machismo enraizado na sociedade japonesa, mas em completa contradição temos o Ladybeard como um dos ídolos mais populares no Japão e reconhecido internacionalmente; o tradicional teatro Kabuki é constituído inteiramente por homens, inclusive vestidos como mulheres em papeis femininos, e ainda assim são considerados ídolos culturais e constantemente aparecem na TV.

A inconformação global e as mudanças significativas

Desde que virou notícia, o fato se espalhou rapidamente pelo mundo todo e gerou muita revolta. O burburinho foi tamanho que hoje a organização do evento precisou prestar esclarecimentos. Em sua página no Facebook, eles alegaram que a medida foi tomada visando evitar que homens vestidos de mulher entrassem nos banheiros femininos para espiar quem lá estivesse – aparentemente, essa também uma outra prática bem corriqueira por lá.

Entretanto, devido às proporções causadas, a organização decidiu voltar atrás e liberar os crossplayers masculinos, mas já deu o aviso: todos os cosplayers presentes no evento deverão portar em tempo integral um crachá identificando se ele é do sexo masculino ou feminino, afim de evitar essas confusões em banheiros.

E a polêmica continua: você achou plausível a justificativa e a solução encontrada pelo evento? Em um mundo cada vez mais diverso, como eles vão lidar com questões de identificação de gênero? Não haveria solução melhor? Deixe sua opinião nos nossos comentários!


Viotti

Viciado em quadrinhos, amante da 7a arte, gamer aos finais de semana, cozinheiro amador quando bate a fome, mamãe diz que eu sou bonito.

  • Franco Matheus

    Primeiro acredito que se deve ter um certo cuidado ao olhar a cultura dos outros. no japão não é o ocidente a historia mostra que conflito culturais não acabam bem uma vez que cada parte vê o outro como “errado”.

    A coisa toda gira no que entendemos por Direito individual vs ambiente social.

    tradando do caso em questão olhando mais para o que o evento atrai varias e varias celebridades do mundo nerd,geek,otaku em geral.

    onde a organização já prevendo o possível risco de assedio ou exposição indevida ou não autorizada de participantes do evento tenta não abrir brecha para que isso ocorra, para não prejudicar a imagem do evento em si e de quem gosta de participar.

    fica a questão um crachá não impede que gente mal intencionada tente conseguir fotos de celebridades, proibir a entrada fera o direito de escolha de parte dos participantes.colocar um fiscal de banheiro me parece absurdo.

    trazer um terceiro banheiro poderia ser uma solução, mas tem gente que não gosta de ser tratado diferente e quer ter seu direito de escolha respeitado.

    ai fica tudo na mesma, de uma lado uma realidade triste de gente que paga por essas fotos, do outro um grupo lutando por direitos iguais.

    alguma hora regras vão ter que ser estabelecidas e a complexidade só cresce se outro grupo não aceitar que pessoas de sexo masculino entre em ambiente feminino só por não querer isso.

    uma sopa de direitos. vivemos em democracia bom caberia uma votação antes do evento.

    e rezar para não ter ninguém reclamando.

    é isso.

    por enquanto.